quinta-feira, 12 de abril de 2018

Astrofísica Ge3 da UFRN na Campus Party Natal


O Grupo de Astrofísica e Evolução Estelar do Departamento de Física da UFRN palestra e protótipos  na Campus Party

Pesquisadores e alunos do Grupo de Estrutura e Evolução Estelar (Ge3) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte apresentam suas atividades na Campus Party nesta sexta-feira 13 de abril de 2018. A Campus Party é um dos maiores eventos de ciência e tecnologia da atualidade e  acontece em Natal. 


Dentre outras atividades os alunos Gabriel Seabra, Valdir Barros e Pedro Henrique junto com o Prof. José Dias apresentam as soluções tecnológicas do projeto da plataforma observacional sustentadas por balão de altas altitudes para voos de longa duração. Esta plataforma proposta faz parte da cooperação com laboratório francês d'Institut d'astrophysique spatiale (Orsay, Paris). 





 Ainda na sexta feira, o Professor  José Dias do Nascimento do Dep. De Física da UFRN  apresenta a palestra “O que faz um planeta ser habitável?”  no palco #STEAM da Campus Party Natal.

Palestra: "O que faz um planeta ser habitável?"
Início: 13 de Abril de 2018 às 19:00
Término: 13 de Abril de 2018 às 20:00
Local: no palco #STEA  

quarta-feira, 14 de março de 2018

1971: Stephen Hawking e os rumos da evolução estelar






Hoje, dia 14 de março de 2018, mais um gigante da física tombou. Aos 76 anos o britânico Stephen Hawking devolveu sua energia para o cosmos.  Hawking era portador de esclerose lateral, já diagnosticado em 1963, quando tinha 21 anos. A expectativa de sua vida  na época do diagnóstico  era de somente mais dois anos. Pois bem, nos corredores do CfA, por volta de 2013 achei uma foto antiga, dobrada e jogada  no lixo. Possivelmente descartada por algum dos muitos que partiram para à aposentadoria nos últimos anos em Harvard.  Quando abri, tive a grande surpresa de estar frente-à-frente à uma das mais históricas reuniões de toda a astrofísica moderna. Tratava-se da “Theoretical Astronomy Conference on Massive Objects”.  Muitos famosos  da área de astrofísica estelar estão na foto, inclusive o Hawking. Não vem ao caso hoje falar sobre os outros e  um dia eu escreverei sobre. De fato uma surpresa grande foi ver aquele rosto conhecido e autor de memoráveis artigos e livros lidos por minha geração. A motivação por astrofísica nasceu ali para muitos. Rapidamente percebe-se o jovem Prof. Stephen William Hawking na foto da conferência cercado por muitos nomes conhecidos e bem mais velhos que ele.  Os detalhes da foto são incríveis. Letras feitas a mão, com uma caligrafia dedicada e bem feita. E o famoso brasão da Universidade de Cambridge no centro. A reunião provavelmente foi no Departamento de Astronomia, onde Stephen Hawking estudou e foi professor. Visto que a reunião era em 1971, rapidamente fui rever alguns artigos para entender a motivação que reuniu tantos ilustres nomes  ali naquela reunião  em Cambridge. Entre outros, estão na foto o  F. Hoyle, G. Burbidge, R. Penrose, G. Michaud,  P. Ledoux, J. Audouze, A. King, Arnett, K. Lang, V. Trimble, S. Woosley, R. Rufinni, M. Ulrich. E muitos outros.

Por volta desta época, Hawking percebeu que o Big Bang era muito parecido com uma espécie de colapso de um buraco negro em sentido inverso. Ele desenvolveu essa ideia com Penrose (que também está na foto, na última linha é o terceiro da direta para a esquerda)    em 1970,  e os dois publicaram um artigo que mostrou que a relatividade geral implica que o universo deve ter começado como uma singularidade.

“The singularities of gravitational collapse and cosmology” por S. W. Hawking, R. Penrose



Neste artigo,  Hawking e  Roger Penrose  propuseram de forma elegante, a partir da Teoria Geral da Relatividade elaborada por Einstein,  que o Universo precisava ter começado em  uma singularidade.  Ou seja, precisava ter um pequeno ponto de infinita densidade. Atualmente,  esta hipótese é largamente aceita, porém  na época desta foto  o assunto ainda gerava muitas dúvidas.  O próprio Einstein havia proposto que um corpo com massa muito grande poderia colapsar devido à sua própria gravidade, criando um buraco negro (termo cunhado depois).  Essa massa colapsaria até diminuir a um ponto minúsculo de altíssima densidade – uma singularidade.  Esta conferencia sobre objetos muito massivos tratava unicamente sobre a física dstes objetos que poderiam ser fontes naturais de buracos negros. Era a ligação da teoria da evolução estelar com os objetos compactos.  Hawking basicamente estava propondo que o Big Bang era como o colapso de um buraco negro em reverso, e o proprio buraco negro era algo que sutgiria naturalmente da evolução estelar.


Por essa altura, a incapacidade de Hawking já era grave. Difícil para andar, mesmo com muletas. Dizem, que no final de 1970, pouco antes desta reunião da foto em 1971, enquanto dormia, ele concebeu as ideias refinadas sobre os buracos negros. Este estalo resultou numa série de descobertas sobre como estes objetos massivos se comportavam e publicadas nos anos seguintes. A física dos objetos supermassivos recebia um fôlego novo. Essa época certamente  foi díficil para Hawking e é retratada em cada um dos famosos participantes que estão nesta foto e sua devida reverencia ao gênio  Hawking. Alguns já famosos ali próximo dele. Podemos ver Geoffrey Burbidge, Margaret Burbidge, Fred Hoyle, William Fowler. Todos autores do artigo "B2FH" que é um documento histórico da física estelar publicado no Reviews of Modern Physics em 1957. O título do artigo  é "Síntese dos elementos nas estrelas", porém o artigo (que gerou um Nobel) é geralmente  referido apenas como "B2FH".  Os autores ali, colados no Hawking. Do lado esquerdo de Hawking vemos o Donald D. Clayton que é o responsável pela predição da teoria da nucleossíntese nas supernovas e sua relação com à formação dos elementos químicos nas explosões estelares. Clayton não somente descobriu a nucleossíntese durante a queima de silício explosivo em estrelas, mas também previu um novo tipo de astronomia com base neste processo. Ele tem um dos cinquenta artigos mais influentes em astronomia do  século XX. São sem duvida os guardiões da astrofísica estelar e os apoios de Hawking na foto. 









Nos anos seguinte a genialidade de Hawking continuou com muitas contribuições, tais como a segunda lei dos buracos negros, a radiação de Hawking e evaporação de buracos negros, teorias sobre expansão do Universo e formação de galáxias e em 2006 a "teoria para tudo". E mais, participou do "Star Trek: The Next Generation", sua voz ecoou no "Simpsons" e seu livro "Uma Breve História do Tempo" bateu 9 milhões de cópias (todo mundo comprou e poucos terminaram de ler). Porém, acho que nada chega após pés de sua contribuição fundamental aos processos físicos nos objetivos massivos e formação de buracos negros. E mais, sua história com o público que ficou fascinado até os dias de hoje e todos se perguntam como aquele ser humano alí, aparentemente frágil em sua cadeira de rodas e com uma doença grave e degenerativa poderia ter uma visão tão profunda do Universo. O prof. Stephen Hawking virou um símbolo de luta pessoal e um guerreiro no sentido de melhor descrever os mistérios do cosmo profundo. Esta foto é antes de tudo um uma reverência de grandes nomes da teoria de evolução estelar ao gigante Stephen Hawking. Nunca encontrei na Internet tal foto e sendo assim púbico aqui pela primeira vez em um singela homenagem à este grande físico.




Um exemplo de superação. Uma grande inspiração para muitos de minha geração e outras. Não somente na astrofísica, mas em todos os campos da ciência moderna.

Prof. José Dias do Nascimento
Astrofísico / UFRN 






sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Exoplaneta Genuinamente Brasileiro?

  Cientistas anunciam a descoberta do primeiro  exoplaneta  genuinamente Brasileiro


Planeta gasoso do tipo Júpiter que orbita uma estrela semelhante ao Sol é descoberto por uma equipe de astrônomos  brasileiros. Trata-se de uma façanha e conquista para a ciência nacional, o anúncio  do primeiro planeta descoberto por uma equipe totalmente composta por astrônomos brasileiros.

De forma inédita, uma equipe totalmente composta por cientistas brasileiros anunciou a descoberta de um novo planeta. O trabalho científico sobre o novo astro será publicado esta semana na prestigiada revista britânica Monthly Notices of the Royal Astronomical Society e anunciado na a XLI Reunião Anual da Sociedade Astronômica Brasileira, que ocorrerá entre 4 e 8 de setembro na cidade de São Paulo, SP.

A equipe de cientistas é formada por sete pesquisadores de universidades de diferentes regiões do Brasil: Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Universidade de São Paulo (USP), Observatório Nacional do Rio de Janeiro (ON) e Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Localizado na direção da constelação de Monoceros e distante cerca de 1200 anos-luz (um ano luz equivale a cerca de 9,5 quadrilhões de metros), o planeta descoberto possui o tamanho aproximado de Saturno, mas com metade de sua massa. Trata-se de um corpo celeste gasoso, assim como Júpiter em nosso sistema solar. O planeta orbita uma estrela parecida com o Sol: sua massa é 8% maior, seu raio 21% menor e sua temperatura 200°C mais quente. Os pesquisadores indicam que a densidade do planeta é menor que a densidade da água. Apenas para exemplificar, se existisse um oceano grande suficiente para conter o planeta, ele flutuaria. Entretanto mais observações são necessárias para confirmar a medida da densidade.

“A órbita do planeta é muito próxima da estrela. A distância entre eles é cinco vezes menor que a de Mercúrio ao Sol, o que o torna muito quente. Estimamos que a temperatura do planeta esteja em torno de 1100°C e que possua ventos de milhares de quilômetros por hora”, explica o professor Marcelo Emilio (UEPG), orientador da tese de doutoramento de Rodrigo Carlos Boufleur, defendida no ON no último dia 28 de agosto, e que deu origem ao trabalho científico.

A técnica utilizada para encontrar o planeta é chamada “trânsito planetário”. É semelhante ao fenômeno dos trânsitos de Mercúrio e Vênus em frente ao nosso Sol. Observa-se a diminuição do brilho da estrela pelo fato do planeta ter passado em frente a estrela. Para fazer a medida foram analisadas observações feitas pelo satélite CoRoT (COnvection ROtation and planetary Transits). Esse satélite foi construído e operado pela Agência Espacial Francesa, pela Agência Espacial Européia e pelo Brasil.




 Satélite CoRoT em operação

A confirmação da existência do planeta foi realizada utilizando a técnica de espectroscopia com um dos melhores instrumentos para esse fim chamado HARPS (High Accuracy Radial velocity Planet Searcher), localizado em La Silla, Chile.

Outros dois planetas do tamanho de Júpiter foram também encontrados no mesmo trabalho, e necessitam de mais observações para que se possa determinar melhor suas massas. A descoberta de novos mundos é um dos campos mais interessantes e promissores na área da astronomia. O número de planetas descobertos ainda é pequeno em relação ao que deve existir em nossa Galáxia. Mais observações e descobertas são necessárias para entendermos como sistemas solares são formados. Questões fundamentais como: seria o nosso sistema solar uma exceção?

“ Este é um planeta gigante gasoso e quente localizado próximo de sua estrela. Sua atmosfera extremamente turbulenta figura entre um dos climas mais extremos até hoje estudado.  Orbitam em movimento travado devido as marés, o que significa que eles têm dias difíceis com muita radiação e partículas de um lado e noites eternas do outro.  A formação destes gigantes gasoso representam um desafio para atual teoria que  descreve a formação planetária”,  explica o astrofísico Prof. José-Dias do Nascimento da UFRN, coautor do artigo que anuncia a descoberta.




 Representação artística do planeta CoRoT ID 223977153-b.

Link para o artigo na página da revista

Autores: Rodrigo C. Boufleur (ON), Marcelo Emilio (UEPG), Eduardo Janot Pacheco (IAG/USP), Laerte Andrade (UEPG), Sylvio Ferraz-Mello (IAG/USP),
José Dias do Nascimento Júnior (UFRN), J. Ramiro de La Reza (ON).


quarta-feira, 26 de julho de 2017

O Sol e seus mistérios.

#UFRN lá lado a lado com o CfA-Harvard Smithsonian no release  "O Sol e seus mistérios".  Publicado  hoje 26.7.16  e divulgando nosso artigo publicado na SCIENCE com release do CfA.  Figure de  Ted Leandro. 

https://www.cfa.harvard.edu/news/2017-23

sábado, 8 de julho de 2017


  São Paulo, 7 de Julho de 2017 Via @estadão, Impresso.



Excelente matéria de Fábio de Castro, O Estado de S. Paulo

A UFRN em artigo do Jornal ESTADÃO, SP.Será  muito importante para nossa
instituição ver a bandeira do Brasil (e a nossa da UFRN)  voando com este
satélite em 2025.

http://ciencia.estadao.com.br/noticias/geral,brasil-ajuda-em-caca-europeia-a-exoplanetas,70001881679


'Com participação direta de cientistas brasileiros, uma missão da Agência Espacial Europeia (ESA) vasculhará o espaço em escala sem precedentes, com o objetivo de descobrir planetas habitáveis em outros sistemas solares. Oficializada no fim de junho, a missão Trânsitos Planetários e Oscilações das Estrelas (Plato, na sigla em inglês) agora tem financiamento garantido - o orçamento é de US$600 milhões (R$ 2,27 bilhões) - e será lançada em 2025."

Saudações Astronomicas.

jose dias


 Outros links.

http://reformulations.blogspot.com.br/

http://astro.dfte.ufrn.br/plato-pt








_______________________________________________
Ciranda mailing list
Ciranda@ufrn.br
http://listas.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/ciranda
Para se descadastrar da lista, basta mandar e-mail em branco para ciranda-unsubscribe@ufrn.br

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Yes!!! Telescopio Espacial PLATO da ESA Selecionado!



 A EUROPA com o Satélite caçador de Planetas PLATO volta ao espaço. O no BRASIL  a UFRN é parte integrante desta missão !!!

Ontem após uma reunião do comité de programas da ESA (European Space Agency) foi anunciado  em definitivo um importante marco para a busca de exoplanetas. A  ESA através de sua mensagem  asseguram a continuação do plano ‘Cosmic Vision’ nas próximas duas décadas. Após uma fase de definição e estudos de três anos após a pré-seleção da missão em 2014, o PLATO agora é definitivamente apto para implementação (vejam nossa bandeira lá).



O satélite PLATO irá estudar Trânsitos planetários e oscilações nas estrelas como descrito já em  Fevereiro de 2014. Na reunião de ontem a decisão garante  que o satélite passa agora para o plano de construção. Nos próximos meses, a indústria será convidada para reuniões e discussões da construção, bem como da plataforma espacial.

Após o seu lançamento em 2026, o PLATO irá monitorar milhares de estrelas brilhantes em uma grande área do céu, procurando variações minúsculos do brilho e regulares causados pela passagem de planetas na frente das estrelas.

A missão terá uma ênfase especial na descoberta e caracterização de planetas  chamados de Super Terras e que orbitam  na zona habitável, isto é,  uma distância da estrela onde a água superficial existe na forma líquida.  O PLATO também investigará a atividade sísmica de algumas estrelas hospedeiras de planetas, e determinará suas massas, tamanhos e idades, ajudando a entender todo o sistema exoplanetário.  Recentemente o pós-doutorando Hugo Coelho aterrissou em Terras potiguares, no DFTE da UFRN proveniente da Universidade de Birmighan, (UK) onde fez o doutorado completo exatamente nesta linha que relaciona exoplanets - espectroscopia  - sismologia. O Dr. Hugo Coelho será um importante reforço para nosso grupo.

O Telescópio espacial PLATO operará a partir do ponto virtual "L2" no espaço a uma distância de 1,5 milhões  de km acima da Terra. O Nosso grupo de Astrofísica,  que estuda exoplanets  Estrutura & Evolução Estelar (G3) é oficialmente parte da missão.  Os professores   José-Dias do Nascimento Jr, Jefferson Soares  e Matthieu Castro (UFRN) juntamente com  Professores da USP e da U. Do Makenzie  fazem parte do board brasileiro do instrumento. 

 Para maiores Informações acessar o site do 







--> -->

sexta-feira, 31 de março de 2017

Afinal de contas o que estamos fazendo?

 



Radiação e ventos solares transformaram Marte num planeta frio e seco

Quatro bilhões de anos antes o Planeta Vermelho era capaz de abrigar vida


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/sociedade/ciencia/radiacao-ventos-solares-transformaram-marte-num-planeta-frio-seco-21138873#ixzz4cwcLhzUh
© 1996 - 2017. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização. 


Relação com o que estamos fazendo:


https://www.youtube.com/watch?v=vvPD8ajp6cs&feature=youtu.be