segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Super Super Lua

O que é um SuperLua, quando será  e como posso observar esta que é  maior Lua em mais de 6 décadas?  

O espectacular fenômeno será o maior desde 1948 onde a Lua estará 30% mais brilhante que o habitual.  Estará maior, porém esta medida não é perceptível sem instrumentos e com relação ao tamanho observado a olho nu, será praticamente do mesmo tamanha de uma Lua cheia habitual.  O evento será na segunda-feira 14 de novembro  de 2016 e certamente será muito 
Professor José-Dias. Astrofísico do Dep. de Física da UFRN (Foto Ana Silva)
belo. É  o resultado da Lua em sua posição máxima  da Terra.  A próxima vez que isto irá ocorrer será por volta de 2034.


"Super Lua" Não é um termo Astrofísico.  O nome científico do evento é  Lua no perigeu*,  mas claro que  'super Lua" é mais pegajoso e por isso mesmo  usado pela mídia para descrever  a posição particular de nosso satélite natural  em sua orbita eliptica  em torno da Terra.

 A Lua tem seu charme e mistérios além de inegável interesse cientifico. Responsável pelas marés personificada como divindade ou demônio. A Lua é importante para a vida na Terra. Sua origem ainda é um enigma.  Uma das hipóteses, a do  impacto gigante mostra que  a Lua cresceu
a partir de um disco equatorial circum-terrestre.  Porém a atual inclinação orbital lunar de cinco graus requer um processo dinâmico subsequente que ainda não é claro, como mostra artigo publicado este mês na revista Nature.  Além disso, a teoria do impacto gigante tem sido desafiada pela inesperada composição lunar que é bem conhecida.  A lua desafia  explicações teóricas ainda hoje.  Modelo de evolução das marés mostram que as perturbações solares na órbita da Lua induzem naturalmente uma grande inclinação lunar.   Outro fato curioso é a origem das anomalias magnéticas na Lua que permanecem inexplicadas  há mais de quatro décadas de sua descoberta.  Ou seja, ainda não sabemos quase nada sobre este pálido, misterioso e  inspirador corpo celeste.

*Perigeu é o termo dado para o ponto mais próximo que a Lua atinge em relação ao planeta Terra

E as previsões aconteceram . Engarrafamento e correria de ultima hora para vê-la. Links ao vivo de TV, rádios, surfistas, banhistas tudo misturado. Ponta negra estava eufórica, parecia reveillion. Cada um que queria fotografar a Lua no perigeu, a famosa super Lua. Gente de toda idade. Violão e tranquilidade. Viva Johannes Kepler e suas órbitas elípticas (baseadas nos dados de Tycho Brahe claro). Foi um sucesso astronomico o perigeu lunar de 2016.






quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Porta do planeta ao lado!

Caros Astro-motivados, 



Astrónomos anunciaram  evidencias de um planeta pequeno e rochoso que orbita a estrela mais próxima de nós, a  Próxima Centauri. Um planeta bem  parecido com a Terra.  A corrida agora é para calcular se pequeno rochoso  pode sustentar vida. Este é o exoplaneta mais próximo até hoje encontrado. Se fossemos classificar as descobertas Astronômicas, esta aqui estaria certamente entre as mais importantes dos últimos vinte anos.  A anã vermelha  Proxima Centauri (α Centauri C, GL 551, HIP 70890 ou Proxima)  é sem duvida a porta ao lado e uma das mais bem estudadas estrelas no céu.  Com temperature efetiva de  3,050 K (bem fria) e uma luminosidade de  0.15% do  Sun, e com raio de 14% do raio do Sol, faz de Proxima um estrela com atividade moderada.  Água líquida deve estar presente.


É incrível como a estrela é próxima, pois com estes 4,22 anos luz, movendo-se a 20% da velocidade da luz, poderíamos alcança-la nas próximas décadas... Esta estrela se tornará sem dúvida o alvo principal nos dias de hoje para os programas de procura e entendimento da vida neste "pale red dot". Abaixo o link para o Artigo da Nature e um excelente vídeo sobre a descoberta.







Matérial da revista  Nature
https://www.youtube.com/watch?v=aOTWo6_602Q
http://www.nature.com/nature/journal/v536/n7617/full/nature19106.html
 Saudações Astronómicas,     José-Dias

terça-feira, 10 de maio de 2016

Teses em minutos




Uma otima notícia circulará esta  semana,  será a apresentação da primeira rodada do programa “Teses em minutos” ou "Doutores do conhecimento" através da enérgica ação do Prof. Rubéns Maribondo,  Pró-reitor de Pós-graduação (PPG)  da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).  Bravo professor Rubens!

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Vídeos divulgam pesquisas de doutorados da UFRN


Até o meio do ano, a Pró-reitoria de Pós-graduação (PPG) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) está lançando o programa “Teses em minuto” ou "Doutores do conhecimento". Vídeos de 1 minuto a 1 minuto e meio começaram a ser gravados nos estúdios da Secretaria de Educação a Distância (Sedis) nesta terça-feira, 22, explicando, na voz dos autores, como as descobertas e/ou invenções científicas vão ajudar para solução de problemas do cotidiano das pessoas.

Sugerida pelo pesquisador da Física José Dias, e abraçada pelo pró-reitor da PPG, a ideia é divulgar a utilidade do conhecimento produzido por alunos e pesquisadores dos 41 cursos de doutorado da Universidade. “Não é nada novo”, observa Rubens Maribondo do Nascimento. “Universidades antigas e tradicionais já fazem isso há muito tempo. Porém a UFRN quer popularizar mais esse conhecimento científico gerado aqui dentro, de maneira simples, principalmente o benefício que pode trazer para as pessoas”.

http://www.sistemas.ufrn.br/portal/PT/noticia/18162550#.VzI9uVxB9Ro

Parcerias

Os vídeos são produzidos em parceria com a produção do Setor de vídeos da Sedis e serão veiculados em um canal da secretaria no Youtube, como também pela TVU, FMU e TV Agecom/UFRN.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

mercurio2016

 Olá a Terráqueos,

 Segunda 9 de maio, o pequeno planeta Mercúrio irá lentamente cruzar o disco do Sol em um deleite astronômico incomum que acontece poucas vezes a cada século. Assim como em outras instituições pelo mundo onde existem astrônomos/astrofísicos, nós iremos acompanhar com telescópios/CCDS e filtros solares (inclusive com imagens de satélite em caso de chuva.  Abaixo envio o link disponibilizado pelo Grupo de Astrofísica de Harvard para quem quiser seguir em streamline e links para fórum de discussão. Será sem dúvida mais uma bela comprovação experimental/observacional das leis fundamentais da (Astro)Física.  Testes para detecção de exoplanetas estão sendo feitos neste transito. Se Mercúrio coincidir com uma mancha solar teremos um belo material para o ExoLab. Aproveitem, e bom FDS


  Saudações Astronômicas.
       José-Dias

http://livestream.com/SkyandTelescope/Mercury


Astrofísicos da UFRN, CfA-Harvard e outras instituições devem acompanhar e responder questões a respeito.

   Saudações Astronômicas.
      Prof.   José-Dias



quarta-feira, 13 de abril de 2016

Observatorio Astronomico da UFRN


Prezados professores,  alunos e Astro-Amigos. Boa tarde!

Gostaria de convidar todos (todas) os interessados (das)  para uma palestra/conversa  onde irei expor o projeto TELESCÓPIOS NA ESCOLA e o “Observatório Astronômico da UFRN". A palestra  será semana que vem na ECT (Escola de Ciência e Tecnologia) e Local e horário ainda serão divulgados.   

O projeto TNE ou Telescópio na Escola é um projeto Multi-INSTITUCIONAL de Extensão e Ensino de Astronomia podendo também contribuir com desenvolvimentos científicos específicos tais como robotização, por exemplo.  O projeto TELESCÓPIOS NA ESCOLA foi idealizado por volta de 2003 na Sociedade Astrônomica Brasileira (SAB)  na base   “Projeto Educacional em Ciências através do uso de telescópios robóticos”.  O Prof. Jafelice e o Prof Joel Carvalho, junto comigo  foram inicialmente os responsáveis.  Natal foi escolhida por critérios técnicos dos nossos pares e por isto recebeu o telescópio de 40cm que encontra-se no  departamento de Física, especificamente na minha sala.

Evidentemente  que o projeto não pretende alavancar ciência fundamental em Astronomia pois  profissionalmente utilizamos Telescópios no Chile (+ de 2500 m de altitude acima do mar),  Hawaii (4200m) ou no espaço em orbita da Terra. Telescópios com espelhos entre 2m e 4m de diâmetro (as vezes 8 metros) são os indicados para ciência de ponta.  Além disso não há nenhum observatório de pesquisa de ponta em solo brasileiro atualmente, portanto os TNE’s pelo Brasil não  são projetos voltados  para pesquisa fundamental em Astronomia  e sim  para Ensino e Extensão  das ciências. Na UFRN não será diferente e terá o mesmo sucesso já obtido em seis instituições pelo Brasil,  dentre as quais, USP, UFRJ, UFSC, UEPG.

O Projeto Educacional em Ciências através do uso de telescópios robóticos é parte do projeto
TELESCÓPIOS NA ESCOLA. E assim como em outras instituições Brasileiras a UFRN também possui seu Telescópio. O programa educacional  visa o ensino em ciências utilizando telescópios robóticos para a obtenção de imagens dos astros em tempo real. Os telescópios são operados remotamente através de uma página web, não necessitando de conhecimento prévio em Astronomia. O nosso projeto esta pronto e em breve será anunciado para toda a comunidade da UFRN. Aqui no link abaixo  alguns destaques do Projeto Arquitetônico do Observatório. "As atividades pedagógicas previstas objetivam desenvolver as habilidades e competências dos alunos no uso do método científico em projetos interdisciplinares, a partir de observações astronômicas, já que a astronomia é uma área interdisciplinar por excelência. Assim, os projetos pedagógicos deverão integrar as áreas de matemática (para correção de medidas, por exemplo), computação, física, química, história, geografia (com estudos sobre regiões e realidades sócio-culturais dos sítios de observação), antropologia (para estudos comparados sobre a diversidade cultural dos conceitos astronômicos), artes (representação simbólica e plástica de objetos astronômicos), mitologia, etc. Essas atividades terão níveis diferenciados de complexidade, que podem ser adequados aos vários graus do ensino e realidades regionais". 

A pagina BRASILEIRA do Projeto encontra-se em 


Existem 7 projetos aprovados e 6 estão em operação atualmente.  Todos os telescópios podem   inclusive ser operada remotamente por qualquer escola com acesso à internet e cadastrada na rede dos TNE. Temos os seguintes pontos pelo Brasil:


1) Na Universidade Estadual de Ponta Grossa o Observatório da UEPG localiza-se dentro do Campus.

2) Na Federal de Santa Cantarina  o Telescopio Localiza-se dento do Campus da UFSC.

3) Na UFRJ o telescópio localiza-se  Observatório do Valongo ao lado da Ladeira de São Pedro perto do clube Vasco da Gama onde está o  Departamento de Astronomia da UFRJ.

4) No Rio Grande do Sul o Telescópio fica na borda da lagoa no centro de Porto Alegre no  Observatório Astronômico Didático Capitão Parobé do Colégio Militar com altitude de  míseros 27m acima do mar.

5) No INPE o Telescópio fica nas margens da Via Dultra  nos jardins do INPE em São José dos Campos. Podemos ver quando passamos de carro na via expressa da Dultra.

6) Na USP o telescópio é idêntico ao nosso e localiza-se no Observatório Abrahão de Moraes  no município  Valinhos em SP. Talvez o único que não esta dentro de uma cidade típica como Natal.

7) Na UFRN o Telescópio ainda não esta em operação porém será instalada na Rua do Observatório próximo a ADURN  na duna  próxima ao reservatório de água.


Dentre outros, na palestra apresentarei o projeto em si,   assim como alguns desdobramentos recentes e as perspectivas do primeiro ano de operação.  Todos são bem vindos.





Localização do Observatório Astronômico da UFRN





Projeto Arquitetônico do Observatório Astronômico da UFRN




Abaixo, a visa isada observacional em situ em um dia típico de Sol na UFRN. Esta é pior de visada, mas mesmo assim apresenta escuridão suficiente e ausencia de prédios no horizonte. O caso oposto é é direto para Leste (dunas) que tem visada ainda melhor.


 


segunda-feira, 7 de março de 2016

Forget Princess...

Forget Princess I want to Be an Astrophysicist

No início do século 20, um grupo de mulheres conhecido como "mulheres computadores" em vários lugares do mundo (desde o Observatory Harvard até o observatório de Greenwich) ajudaram  a revolucionar a ciência da Astronomia e o nascimento da Astrofísica moderna.

Como elas revolucionaram a astrofísica moderna.

 Em 1881,  Edward Charles Pickering, diretor do Observatório de Harvard, tinha um problema: o volume de dados que entrava em seu observatório era superior a capacidade da sua equipe para analisar.  Neste período ele também tinha dúvidas sobre a competência de  sua equipe, especialmente do seu astronomo assistente.  Então ele fez o que  o que qualquer cientista do final do século 19 teria feito. Simplesmente demitiu o assistente (que era um pesquisador) e substituiu-o por uma assistente,  Williamina Fleming. Fleming se mostrou tão habilitada nos cálculos que trabalhou aqui neste mesmo prédio que estou na Universidade de Harvard por 34 anos 


Assim começou uma era na  história do Harvard Observatory, onde as mulheres - mais de 80, durante o mandato de Pickering, a partir de 1877 até sua morte em 1919 - trabalharam  para o diretor e sua equipe  em  catalogação.  A maioria são lembradas não individualmente, mas coletivamente, pelo apelido "Harém de Pickering".  Ainda tem fotos de todas elas pelos corredores que passamos para entrar  no CfA ou ir para o auditório de seminários e Teses, o Phillips Auditorium na 60 Garden Street.  O apelido  de  "Harém de Pickering reflete a situação da mulher no momento em que elas estavamPara se ter uma ideia, as expectativas tradicionais das mulheres foram mudando  lentamente neste lado mundo "moderno" e  seis de "Sete Irmãs" começaram a trabalhar  entre 1865 e 1889  na academia (Mount Holyoke abriu as suas portas em 1837) e pouco a pouco as universidades começaram a  admitir estudantes do sexo feminino em ciências.  Famílias de classe alta incentivavam suas filhas a participar dos estudos das ciências. Edward Pickering era um tal pensador progressista da época, ao menos quando se trata de abertura de oportunidades educacionais. Proveniente da Nova Inglaterra (região dos arredores de Boston), ele era  formado por Harvard em 1865 e ensinou física no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) que também esta situado em Cambridge ao lado de Harvard. Lá no MIT  ele revolucionou o método da pedagogia científica incentivando os alunos a participar em experiências. Ele também convidou Sarah Frances Whiting, uma jovem aspirante a cientista a assistir suas palestras e observar seus experimentos. 

  



Entrada do Harvard Observatory e suas históricas cúpulas em 19 de Janeiro de 2014. A foto das "Mulheres de Harvard" foi feita na frente da porta do subsolo no fundo a esquerda. O Nível da rua era mais baixo. No primeiro andar as janelas do  Phillips Auditorium. Minha sala fica no ultimo andar, ultima sala do lado direito abaixo da cupula acima do prédio e detalhe da janela da minha sala com vista o pátio de onde provavelmente esta o fotografo da foto das "mulheres de Harvard".  


A abordagem de Pickering para técnicas Astronômicas também foi progressista. No lugar de  depender exclusivamente de notas feitas a partir de observações produzidas no telescópio, ele enfatizou o uso de fotografias neste tipo de observação, que é conhecida hoje como astrofotografia. Foi difícil,  e mesmo para Pickering que era um homem  progressiva foi inevitável não impor  algum trabalho das assistentes para tarefas de escritório e em grande parte isso  reforçou a suposição comum da época de que as mulheres foram cotadas para pouco mais do que as tarefas de secretariado.  Da mesma forma ele, Pickering,  sabia que estas mulheres,  conhecidas como "mulheres computadores", eram a única maneira possível para alcançar seu objetivo de fotografar e catalogar todo o céu noturno. Ao todo, mais de 80 mulheres trabalhavam para Pickering durante seu mandato no Observatório de Harvard (que se estendeu até 1918). Eram seis dias por semana debruçadas sobre fotografias, e ganhando de 25 a 50 centavos (de dolar)  por hora (metade do que um homem teria sido pago).  O trabalho diário era em grande parte clerical: algumas mulheres condiziam as fotografias, levando em  conta  coisas como refração atmosférica e outros efeitos, a fim de tornar a imagem mais clara e pura possível. Outras iriam classificar as estrelas através da comparação com fotografias para catálogos conhecidos. Outras catalogavam as fotografias por si mesmo, fazendo anotações cuidadosas da data de cada imagem , do tempo de exposição e da região do céu que foi fotografada. As notas foram meticulosamente copiadas em tabelas, que incluíram a localização da estrela no céu e sua magnitude. "Foi uma coisa fantástica", como Fleming anotou em seu diário.



Sala de trabalho em um dia típico. Acervo do Harvard College Observatory and the Smithsonian Astrophysical Observatory.

Annie Jump Cannon  

Uma dos computadores de Pickering, no entanto,  se destacara por sua contribuição à astronomia : Annie Jump Cannon, que desenvolveu um sistema de classificação de estrelas que ainda é usado até hoje. Fiz algumas foto de a;umas das  várias fotos que existem aqui pelo corredor que passamos  todos os dias.  Annie nasceu em  Delaware, em 11 de dezembro de 1863. Seu pai, um construtor naval, tinha algum conhecimento sobre astronomia e estrelas, mas foi sua mãe, que alimentou  seu interesse desde a  infância por  astronomia. De forma geral,  os pais  nutriram seu amor pelo aprendizado  e em 1880 quando ela se matriculou na Universidade de Wellesley, e  se tornou uma das primeiras mulheres  de Delaware a frenquantar uma  faculdade.   Em 1896,  Annie Cannon  tornou-se membro do grupo de  "Mulheres de Pickering", e figurava entre estas mulheres contratadas pelo diretor do Observatório de Harvard   para completar o Catálogo Henry Draper, mapeamento e calssificando baseada em placas fotográficas cada estrela visível no céu até  magnitude 9.


O financiamento deste trabalho trouxe Anna Draper, que era uma  viúva de um  médico rico e astrônomo amador Henry Draper (dai o nome HD dos catálogos utilizados até hoje). A dinimanica do observatorio esra a seguinte. Os  homens faziam o trabalho de operar os telescópios e tirar fotografias enquanto as mulheres examinava os dados, realizados cálculos astronômicos e assim catalogando tidas as fotgrafias e registros durante o dia.  A ideia de  Pickering era de fazer um Catálogo o mais completo possivel e assim um projeto de  longo prazo e em seguida  indexar e classificar estrelas porseus  espectros.  Um trabalho giganteso para a época.



Fotos do meu acervo que fiz no corredor onde existem placas de homenagem a Anne Jump Cannon e Cecilia Payne. No CfA-Smithonian Observatory, 2014.




Cecilia Helena Payne

No mesmo corredor aqui do Smithsonia, temos as fotos de Cecilia Helena Payne (10 de maio de 1900 - 7 de dezembro de 1979), que  foi uma astrônoma/astrofísica britânica-americana e em 1925 propôs em seu doutorado a tese com a explicação sobre a composição das estrelas em termos da abundância relativa de Hidrogênio e Hélio. Todos nós estudamos isso diariamente. Cecilia, foi criada pela mãe. Sua mãe optou por  gastar todo seu  dinheiro na educacao de seu irmão.  Em 1919, ela ganhou uma bolsa para Newnham College, Universidade de Cambridge. Depois de assistir uma palestra de Arthur Eddington em 1919 sobre  sua expedição à ilha do Príncipe,  no Golfo da Guiné, na costa oeste da África para observar e fotografar as estrelas em um eclipse solar como um teste da teoria geral da relatividade de Einstein, ela decidiu seguir  os passos da  astronomia. Ela completou os seus estudos,  mas não foi premiada com um grau por ser uma mulher.  Baseado em suas notas ela foi a primeira aluna da turma, porém  Cambridge não concedia graus para  mulheres até 1948. Cecilia Payne percebeu que sua opção de carreira  no Reino Unido seria se tornar uma professora de crianças,  então ela olhou para os subsídios que tinha e foi  para os Estados Unidos. Após uma  reunião com  Harlow Shapley, o Diretor do Harvard College Observatory, que tinha acabado de começar um programa de pós-graduação em astronomia.  Ela deixou a Inglaterra em 1923. Isso foi possível graças a uma bolsa de estudo para incentivar as mulheres a estudar no Observatório.





A carreira de Payne marcou uma espécie de ponto de nao retorno para a possibilidade de doutorados para mulheres  no Harvard College Observatory, sob a direção de Harlow Shapley.  O Ph.D. de Payne  fez  brilhar a estrela das mulheres na comunidade científica,  em grande parte dominada por homens. Payne  foi uma inspiração para muitos e muitas. Incentivou a familia de Feyman (Nobel de Fisica), porem isso é outra historia. Aqui minhas fotos do corredor do Smithsonian-Harvard  CfA.






 


Fiz as fotos dos quadros do Observatório de Harvard. Feitas em Dezembro de 2014

Annie Maunder

Annie Maunder nasceu na Irlanda , em 1868. Ela ganhou uma bolsa de estudos para estudar em Cambridge, onde cursou  matemática. Ela era a melhor aluna do seu ano, porém nao recebeu o título de Bacharel  por que somente poderia ser dados para homens. Após sua graduação, ela foi  trabalhar como uma  'maquina de calcular' no Observatório Real, Greenwich. Ela era paga miseravelmente e na maioria  das vezes fazia trabalho servil. Devido a um lapso de sorte, Annie, tornou-se assistente (e depois esposa) de Edward Walter Maunder, que era o diretor do Departamento Espectroscopia  do Observatório. Eles colaboraram um trabalho sobre o rastreamento de  manchas solares criada por intensa atividade magnética.  Tempo depois Annie renunciou seu posto no Observatório,  mas continuou trabalhando com o marido e juntos mostraram que havia uma ligação entre o número de manchas solares na superfície do Sol e o clima na Terra.  Descobriram  o período prolongado no qual houve um número anormalmente baixo de manchas solares, O mínimo de Maunder, que é conhecido até hoje desta forma.  As descobertas resultaram no diagrama de borboleta e esta é uma sólida área da Astrofísica moderna.




Versão moderna do diagrama borboleta publicada por Edward Maunder e com base no trabalho feito com sua esposa , Annie. O diagrama mostra que a localização e variação das manchas solares  ao longo do ciclo de 11 anos do sol.  O Diagrama parece um pouco como a forma de uma borboletas - daí o nome.  (Crédito: NASA). Para saber mais sobre o Diagrama:
http://solarscience.msfc.nasa.gov/SunspotCycle.shtml



Caroline Herschel

Caroline Herschel foi a primeira mulher a descobrir um cometa - e encontrou oito no total. Embora seja mais conhecida por seus cometas, ela também descobriu vários objetos do céu profundo, incluindo a galáxia Sculptor. Caroline nasceu em 1750 , em Hanover na Alemanha. A partir da idade de 22 anos ela viveu com seu irmão, William, na Inglaterra. Depois de descobrir Urano, William se tornou um astrônomo da Família Real, e Caroline sua assistente.  O Rei George III concedeu Caroline um salário de £50 por seu trabalho, fazendo dela a primeira mulher a ganhar a vida com  Astronomia.
Caroline descobriu a galáxia de Scuptor, ou NGC 253  em 1783. Esta galáxia encontra-se a cerca de 13 milhões de anos-luz da Terra e está passando por uma enorme explosão de formação estelar. É uma galáxia empoeirada e  somente quando olhando para ela no infravermelho é que conseguimos perceber e ver a verdadeira extensão da formação estelar intensa no seu interior.









http://www.eso.org/public/images/eso1025a/

Esta imagem, feita pelo telescópio VISTA  revela  os braços espirais da galáxia e o núcleo brilhante. Caroline também descobriu  Messier 110. Hoje, é claro, existem muitas mulheres que trabalham em astronomia. As barreiras de entrada não são as mesmos que eram nos dias de Caroline Herschel, Annie Maunder, Cecilia Payne, Annie Jump Cannon e outras.  Porém há ainda  um longo caminho a percorrer  para que haja um número razoável de mulheres nas ciências, engenharias e tecnologias. Expor o problema é importante e isto é ponto de pauta nas gandes universidades do mundo inteiro.

Para minhas amigas astrônomas da Sociedade Astronômica Brasileira.  Minhas orientadoras de Doutorado que são duas grandes mulheres da Astrofisica Estelar. Importantes não somente na França mas em todo o mundo.  S. Vauclair e C. Charbonnel.   Merci!  Minhas colaboradoras pelo mundo. E para minhas alunas que estão começando a longa caminhada da Astronomia. Para alto e avante!



Alunas de Graduação em Física da UFRN  e futuras Astrônomas. Da esquerda para direita: Marina Ribeiro, Maria Clara R. F. da Silva, Paola G. Oliveira de Melo,  Larissa L. Amorim,  Victória M.   L. e Misa Uehara.  Foto em Fevereiro de 2016 no Dep. de Física da UFRN



Para saber mais sobre  Websites on Women in Astronomy

https://www.cfa.harvard.edu/~jshaw/pick.html
https://www.cfa.harvard.edu/~alexg/ajc.html
http://w.astro.berkeley.edu/~gmarcy/women/history.html
https://en.wikipedia.org/wiki/Harvard_Computers








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 Prof. José-Dias do Nascimento Jr.  é  PhD em Astrofísica  pela Universidade de Toulouse, Françe (1999), pesquisador  do Harvard–Smithsonian Center for Astrophysics (CfA) e  professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. UFRN, Natal RN e Pai de Malu!




quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Amanhã será escrita uma pagina nova no livro da Física e AstroFísica

 Prezados Colegas,

2016 começa com resultados quentes para a Astrofísica mundial. Amanhã dia 11 o livro da Física vira uma pagina, pois o  LIGO que é o Observatório de Ondas Gravitacionais por Interferômetro Laser (Laser Interferometer Gravitational - Wave Observatory) irá fazer um anuncio estrondoso aparentemente. Recebi mensagens dos canais de Fisica da Universidade Harvard e apesar de não haver menção do que se trata, tem a impressão que será o anuncio definitivo de detecção de ondas gravitacionais, ondulações no espaço-tempo prevista por Albert Einst
Credit Caltech / MIT / LIGO Lab
ein 100 anos atrás.


 O LIGO é um laboratório/projeto do Instituto de Tecnologia da Califórnia, fundado em 1992 pelos pesquisadores Kip Thorne e Ronald Drever e
 Rainer Weiss, pesquisador em Cambridge (Boston Area),  no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).

O projeto teve custo de $365 milhões de dólares (contados até 2002) e  é o maior e mais ambicioso projeto da  National Science Foundation (NSF). O "CNPq" dos EUA. A colaboração final do LIGO conta com um  grupo internacional de 400 cientistas espalhados em 40 instituições onde é analisado os dados do LIGO.


https://www.ligo.caltech.edu/

Não se sabe ao certo hoje, dia 10 de Fevereiro o que será anunciado, más visto o histórico da produção pode ser a a observação  (medida) de  ondas gravitacionais de origem cósmica. Isto irá fechar como mais um resultado de medida e comprovação de previsões teóricas da Teoria Geral da Relatividade, como desenvolvida por Einstein em 1916. Precisamente em  Novembro de 1915.

http://www.nature.com/news/general-relativity-100-1.18795

O laboratório LIGO opera com dois  observatórios funcionando em sincronia. Um em Livingston, Louisiana( 30°29′55″N, 90°44′54″W) e outro na Reserva Nuclear Hanford, localizada nos arredores de Washington. Estão separados por 3002 quilometros que corresponde a dez milisegundos na escala de  chegada da onda.



Prof. José-Dias do Nascimento Júnior, PhD em Astrofísica.  Professor e Astronomo do Departamento de Física da UFRN. Lider do  Grupo de Astronomia  Estrutura e Evolução Estelar da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (G3) http://astro.dfte.ufrn.br Pesquisador Visitante Scholar do CfA-Harvard Smithsonia Observatory   http://scholar.harvard.edu/donascimento/home