terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Across the Universe: “A mais bonita que eu escrevi“...

Viajando no  cosmos a 300 mil  km por segundo na direção do espaço profundo!

Engenheiros na sala de controle da missão iniciando a transmissão do signal da Musica  "Across the Universe" enviado pela  NASA's  Deep Space Network  (rede de espaço profundo)  Credito da Imagem: NASA/JPL


 Across the Univers foi escrita por John Lennon e creditada como Lennon/McCartney.  Foi incluída no album "Let it be", de 1969. Escrita em uma noite em 1967,  nasceu na mente de  John Lennon após  uma briga com Cynthia Powell, sua esposa na época. Logo depois de uma  discussão John saiu do quarto e neste trajeto as palavras que compõem o primeiro verso desta musica fluíram.  Diz John “Eu estava deitado ao lado de minha primeira esposa na cama, pensando... Começou como uma canção negativa ... Cynthia foi  dormir e eu  continuei a ouvir: "Words are flowing out like endless streams...”.  Eu estava um pouco irritado e  desci as escadas e neste momento a musica se transformou completamente  em uma espécie de música cósmica, e ao  invés de:  'Why are you always mouthing off at me?' as palavras foram se tornando fonte inspiradora e acrescentadas naquela hora, com  exceção talvez de um ou outra que  precisava-se incluir para resolver a linha poética. A frase "nothing's going to change my world”  foi colocada na versão original após a musica já esta completamente escrita. Não se sabe ao certo qual a intenção de John, mais a frase caiu como uma luva.

A “alma” desta canção foi fortemente influenciado pelo interesse de John Lennon e dos Beatles na meditação  e nas questões de natureza transcendental no fim de 1967. Baseado nisso, John  acrescentou o mantra "Jai guru deva om" (citação em sânscrito) que se tornou o link para o refrão.  A frase em sânscrito é um fragmento  cujas palavras podem ter muitos significados.  Literalmente se aproxima como "glory to the shining remover of darkness".  Esta  frase  era comumente invocada pelo  Maharishi Mahesh Yogi ao se referir ao seu mestre espiritual na forma “"All Glory to Guru Dev."



A estrutura lírica da musica é bem simples. Repetições de um verso,  com a linha de "Jai guru deva om"  acrescentado da frase  "Nada vai mudar meu mundo", repetindo quatro vezes.  A letra é baseada em imagens, com conceitos abstratos e com pensamentos sinuosos.  A frase título "Across the Universe" aparece em intervalos para terminar as linhas, e sempre aparecendo como uma figura ascendente, melodicamente não resolvidas. Por cima, termina na nota principal que acaricia o ouvido ocidental,  seguindo de uma tônica e assim a musica esta completa.

Em sua entrevista de 1970 a Rolling Stone, Lennon se refere à música como a  letra mais poética que ele escreveu:.. "É uma das melhores letras que eu escrevi. Na verdade, ela é a  mais bonita que eu escrevi.“  A musica foi regravada várias vezes pelos Beatles, assim como por muitos outros artistas. George Harrison fez o arranjo da musica com musicos Indus.

No dia 4 de Fevereiro  de 2008 ás 19:00 EST a missão espacial Deep Space da NASA transmitiu pela primeira vez uma musica diretamente do espaço profundo, comprovando assim a tendência cósmica desta trilha. A transmissão de “Across the Universe”  pela missão  Deep Space comemorou o 40º aniversário do dia  em que os  Beatles gravaram esta música, assim como o 50º aniversário da fundação da NASA e da existência da banda. Esta transmissão fez parte da Deep Space Network, uma rede internacional de antenas que dá suporte a missões de exploração do universo profundo. A transmissão foi  direcionada para a estrela Polaris (Polar do  Norte), na constelação Ursa Menor que  está localizado 431 anos-luz da Terra e é utilizada historicamente como um farol para navegação. A canção esta viajando pelo universo em uma velocidade de 300 mil  km por segundo e esta sendo irradiada para o cosmos.  Antes de atingir a região da estrela Polar, a música viajará pelo espaço por 431 anos.

Across the universe foi adaptada  na voz de Rufus Wainwright para Lucy no filme "I am San",  uma bela historia com musicas dos Beatles como fundo para uma trama de um fã com necessidades especiais.  Meus filhotes Leo & Malu,  volta e meia escutam meus discos e assim  “Across the Universe” volta novamente a ser irradiada com forca total.


Prof. José-Dias do Nascimento Junior,
Pesquisador no Smithsonian CfA- Harvard University
Professor do DFTE /  UFRN

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

A busca de novos mundos com o satélite plato






Observando o espaço com 34 telescópios para investigar um milhão de estrelas.
 
A exploração de planetas em torno de estrelas além do Sol (planetas extra-solares, ou "exoplanetas") é um dos temas mais interessantes da ciência do século 21. Um dos objetivos chave desta pesquisa é descobrir e entender sobre as propriedades dos outros mundos semelhantes à Terra e da nossa vizinhança. A ESA, Agência Espacial Europeia, irá fazer isso através da preparação de uma nova missão espacial chamada PLATO. O Lançamento da missão está previsto para 2024, e as descobertas validadas de planetas como a Terra em distâncias comparáveis à da Terra e em torno de estrelas semelhantes ao nosso Sol será produzido após terem sido recolhidos três anos de dados observacionais. O Comité do Programa Científico da ESA votou e escolheu PLATO em sua reunião ordinária em Paris nos dias 19 e 20 de fevereiro de 2014, como um dos cinco projetos espaciais propostos para a chamada "M" ou missões "de porte médio".




 

Figura 1: Um conjunto de pequenos telescópios constituirá carga útil científica da Missão PLATO, permitindo que o observatório espacial possa fazer observações de mais da metade do céu em um campo amplo e contínuas durante longo período. Crédito de imagem: ESA

Atualmente nenhum único exoplaneta do tipo Terra em uma zona habitável e em torno de uma estrela semelhante ao nosso Sol foi encontrado e totalmente caracterizada. PLATO vai ser um pioneiro nesta busca de novos mundos para a humanidade investigar.
"PLATO começará um completamente novo capítulo na exploração de planetas extra-solares" Dra. Rauer prevê com confiança. "Vamos encontrar planetas que orbitam sua estrela na zona 'habitável​​' que suporta a vida: planetas onde se espera que a água líquida exista, e onde a vida como a conhecemos pode ser mantida". O consórcio da missão é liderada pela Dra. Heike Rauer do Centro Aeroespacial Alemão (DLR).
PLATO irá medir os tamanhos, massas e idades dos sistemas planetários que irá encontrar, por isso, as comparações detalhadas com nosso próprio Sistema Solar poderá ser feita. "Nos últimos 20 anos mais de mil exoplanetas foram descobertos, com pouquíssimos sistemas multi-planetários entre eles", explica Rauer. "Mas quase todos esses sistemas diferem significativamente de nosso Sistema Solar em suas propriedades, porque eles são os mais fáceis de encontrar exemplos. PLATO firmemente irá estabelecer se os sistemas como o nosso Sistema Solar, e planetas como a nossa Terra são comuns na Galáxia. "Os cientistas precisam de um quadro completo de todos os tipos de sistemas planetários para entender melhor como os planetas e seus sistemas se formam e evoluem.





Figura 2: Layout e instrumentação de PLATO 2.0. Crédito de imagem: PLATO Definition Study Report/ESA

PLATO 2.0 será capaz de fornecer tanto idades precisas a partir da Sismologia como períodos de rotação a partir da análise das curvas de luz. Na UFRN (Natal, Brasil), o Grupo de Evolução e Estrutura Estelar (GE3​​) liderado por José-Dias do Nascimento é integrante da missão PLATO e vai liderar o projeto que estuda o presente, passado e futuro do Sol com base no grupo de estrela extremamente semelhante ao Sol (Estrelas Gêmeos Solares) e estrelas Análogos solares a partir de uma perspectiva da atividade magnética e rotação estelar. No Instituto Astronômico e Geofísico da Universidade de São Paulo, o Professor Eduardo Janot Pacheco (Representante do Brasil no PLATO board) conduzirá a pesquisa na detecção da oscilações estelares (asterossismologia).
PLATO, é um acrônimo para PLanetary Transits and Oscillations of Stars. PLATO irá encontrar planetas através da obstrução periódica da luz estelar detectada e causada por um planeta que atravessa em frente da estrela, bloqueando uma fração da luz da estrela que chega até o satélite PLATO. Ele também vai medir pequenas variações detectadas na luz das estrelas causadas ​​por pequenas oscilações nas estrelas hospedeiras, realizando assim a chamada asterosismologia. Assim como em sismologia da Terra, estas vibrações podem revelar a estrutura interior do corpo vibratório. A asterosismologia nos permite descobrir a idade da estrela e dos planetas que orbitam em torno dela.









Figura 3: O amplo campo de observação da missão PLATO. Os 32 telescópios permitirá uma cobertura muito mais ampla do céu, em comparação com as missões anteriores de caça por Exoplanetas. Crédito de imagem: ESA

Um novo tipo de telescópio espacial
PLATO é um tipo de telescópio espacial completamente novo: ele vai usar uma rede de telescópios, em vez de uma única lente ou espelho. PLATO irá usar câmeras de alta qualidade, e terá a vantagem de observar continuamente a partir do espaço, sem a interrupção do nascer do Sol, ou o efeito tremido causado pela turbulência da atmosfera Terrestre. Isso permitirá que PLATO descubra planetas menores que a Terra e os planetas a distâncias de suas estrelas semelhantes à distância Terra-Sol. Até agora, apenas alguns pequenos exoplanetas são conhecidos em distâncias estrela-planeta comparáveis ​​ou maiores que a da Terra ao Sol. Ao contrário de missões anteriores, PLATO incidirá sobre esses planetas, que são previstos como os mais parecidos com os nossos próprios planetas do Sistema Solar.

A Europa  vai assumir um papel de liderança na busca de planetas extra-solares
PLATO é uma colaboração europeia viva e vigorosa - muitas instituições e centenas de investigadores europeus estão trabalhando em conjunto com cientistas de todo o mundo para completar a equipe. O catálogo de planetas potencialmente habitáveis ​​fornecidos por PLATO será a base para medidas de acompanhamento para estudo da atmosfera de planetas, utilizando o European Southern Observatory’s European Extremely Large Telescope (E-ELT) , ou a próxima geração de grandes telescópios espaciais , como o Telescópio Espacial James Webb. Com PLATO, a Europa vai liderar a busca por exoplanetas habitáveis ​​.

Um trabalho pioneiro na busca  por um candidato a nosso segundo "sistema solar"
Somente através da medida da massa e do raio de um planeta é que conseguimos distinguir entre um "mini- Netuno ", com um alto teor de gás, mas uma baixa densidade - como os dois planetas mais distantes do Sistema Solar - ou um planeta rochoso com um núcleo de ferro, como a Terra. Sem esta informação a habitabilidade de um planeta não pode ser determinada. Alguns planetas extra-solares conhecidos são "super -Terras ", com tamanhos e massas um maiores que a da Terra. Até agora, apenas alguns pequenos exoplanetas tiveram sua massa, raio e idade determinados com precisão. Isto é necessário para descrever adequadamente um planeta. "A observação de planetas em muitos estados diferentes de sua evolução nos dará pistas para sobre o passado e o futuro do nosso próprio sistema planetário " , comenta a Dra. Rauer. " De maneira nenhuma podemos saber tudo sobre a juventude de nosso Sistema Solar. "



Impusionando a ciência estelar
PLATO irá monitorar a variação da luz de 1.000.000 estrelas com alta precisão, que irá fornecer um legado para os cientistas que estudam a evolução de estrelas em nossa Galáxia. Em particular as idades obtidas por PLATO, via Sismologia, irão complementar a informação sobre as estrelas obtidas pelo recém lançado satélite Gaia da ESA que vai ajudar a melhor compreender a evolução da nossa Galáxia.

Fatos Principais:
Durante os longos seis anos planejados da missão, PLATO irá observar um milhão de estrelas, levando à provável descoberta e caracterização de milhares de novos planetas orbitando outras estrelas. PLATO irá analisar e observar cerca da metade do céu, incluindo as estrelas mais brilhantes e mais próximas.
PLATO consiste de uma matriz de 34 telescópios individuais montados numa plataforma-sonda de observação. O satélite será posicionado por volta do chamado Pontos de Lagrange , onde a força externa dirigida a partir da rotação em torno do Sol contrabalança a atração gravitacional da Terra , da Lua e do Sol. Cada um dos 34 telescópios tem uma abertura de 12 centímetros.
Os telescópios individuais podem ser combinados de muitas diferentes formas e grupos, levando a recursos sem precedentes para observar simultaneamente objetos brilhantes e fracos .
PLATO será equipado com o maior sistema de câmeras que já voou para o espaço, compreendendo 136 dispositivos acoplados (CCDs ), que têm uma área total de 0,9 metros quadrados.
A precisão das medições asterosismológica de PLATO será maior do que os programas anteriores de busca por planetas, permitindo uma melhor caracterização das estrelas, particularmente aquelas configurações estrela – planeta semelhantes ao nosso Sistema Solar.
O objetivo científico é baseado em projetos anteriores de sucesso, como o telescópio espacial franco- europeu CoRoT e a missão Kepler da NASA. Também levará em conta os conceitos de missão que estão atualmente em fase de preparação e irá preencher a lacuna entre o presente momento e o lançamento em 2024 - futuras missões como Kepler -2 , e TESS da NASA, CHEOPS (missão da ESA) continuarão a pesquisa.
Dr. Heike Rauer do Instituto de Pesquisa Planetária DLR em Berlim, é professora de astrofísica na Universidade Técnica de Berlim. Rauer lidera o consórcio internacional que irá fornecer a carga útil e realizar todas as investigações científicas com os dados.

Informações para Contato (no Brasil):
- Dr. José-Dias do Nascimento Jr. Cientista Brasileiro participante da Missão PLATO. UFRN, Departamento de Física, Natal, RN-Brasil, & CfA, Harvard University. Telefone: (US)+1 (617) 314 3328, (BR) +84 3215-3793 (ext. 208); Email: jdonascimento@cfa.harvard.edu.
- Dr. Eduardo Janot Pacheco. Responsável pelo Consortium PLATO no Brasil. USP, Departamento de Astronomia do IAG. Telefone: (11) 3091-27779; Email: janot@astro.iag.usp.br.

Informações para Contato (na Europa):
- Dr. Heike Rauer - PLATO Consortium Board, lead. Phone: +49–(0)30–67055-430; Email: Heike.Rauer@dlr.de.
- Dr. Ulrich Köhler - PLATO Consortium, communication. Phone: +49–(0)30–67055-215; Mobile: +49–(0)175–1641737; Email: Ulrich.Koehler@dlr.de.

PLATO Consortium Board:
- Heike Rauer, DLR, Berlin, Germany
- Laurent Gizon, MPSSR, Lindau, Germany
- Giampaolo Piotto, Univ. Padova, Italy
- Sabella Pagano, INAF, Obs. Catania, Italy
- Magali Deleuil, LAM, Marseille, France
- Thierry Appourchaux, IAS, Orsay, France
- Don Pollacco, Univ. Warwick, UK
- Alan Smith, MSSL, Dorkin, UK
- Manuel Güdel, Univ. Vienna, Austria
- Conny Aerts, KU Leuven, Belgium
- Eduardo Janot-Pacheco, Univ. São Paulo, Brazil
- Jorgen Christensen-Dalsgaard, Aarhus Univ., Denmark
- Robert Szabo, Konkoly Obs., Hungary
- Nuno Santos, Univ. Porto, Portugal
- Juan-Carlos Suarez, IAA-CSIC, Granada, Spain
- Miguel Mas-Hesse, CAB-INTA, Madrid, Spain
- Alexis Brandecker, Univ. Stockholm, Sweden
- Stéphane Udry, Obs. Genève, Switzerland
- Willy Benz, Univ. Bern, Switzerland
© 2013-2014 Grupo de Estrutura & Evolução Estelar da UFRN
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